Bones: Não estou preparada para dizer adeus.

Bones: Não estou preparada para dizer adeus.

Em nossa vida, essa é uma realidade comum a muitas pessoas, sempre temos aquele melhor amigo, um que não importa quantas pessoas conhecemos, quantas coisas boas fazemos com outros, sempre temos a impressão de que ele é mais legal ou que com ele seria melhor. Alguém que podemos contar em todas as desilusões da vida, alguém que mesmo quando saímos e vamos embora sabemos que vai estar aguardando o nosso retorno. Mesmo que seja em cacos, pois se voltarmos quebrados ou partidos, essa pessoa vai nos deixar inteiro novamente. Se você não tem alguém assim, não desanime, talvez você seja o melhor amigo de alguém.

Vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com séries? O que tem a ver com uma série em especial? Bem, essa explicação faz parte de uma metáfora, talvez muito ruim, que eu criei para explicar o significado de Bones na minha vida. Aqueles que conhecem e acompanham a série vão compreender muito bem o que eu digo os que não conhecem, bem, tentarei explicar, mas esse não é um texto recomendação, talvez eu faça algum um dia, só que esse não é o momento.

Em 2005 a FOX deu um presente para o mundo dos amantes de séries, uma série dentro do que estava na moda a época (CSI,NCIS, Criminal Minds, Law and Order etc), uma série de investigação criminal. A estreante tinha algumas peculiaridades, os casos investigados eram do FBI e envolviam corpos em avançado estado de decomposição ou quase sempre, apenas ossos, essas investigações corriam em grande parte dentro do Jeffersonian Institution.

A primeira temporada contou com 22 episódios e explorava a improvável aliança estabelecida entre a antropóloga forense Dra. Temperance “Bones” Brennan(Emily Deschanel)  e o Agente especial Seeley Joseph Booth (David Boreanaz) do FBI. Brennan e sua equipe do Jeffersonian forneciam conhecimento científico para a investigação criminal do FBI. Geralmente havia casos de assassinato que eram investigados por episódio e além das sub-tramas envolvendo o relacionamento entre a equipe e as divergências entre Booth e Brennan.

Somos apresentados também a Zack (Eric Millegan), Ângela (Michaela Conlin)  e Hodgins (T. J. Thyne), os membros da equipe de investigação do instituto. Zack é um nerd incompreendido, Ângela é uma artista sensível e Hodgins uma espécie de cientista maluco.

A série é cheia de conversa científicas intercaladas com algumas sequências de ação, mas Bones é essencialmente uma série sobre as relações humanas. Brennan é sem dúvida a personagem mais intrigante, ainda que Booth também seja protagonista, toda a série se volta para ela.

Muito disso se deve a sua personalidade incomum, mas que alcança sucesso e popularidade na TV podemos dizer que a protagonista possui algum nível de misantropia. O fato é que por alguns momentos achamos que a doutora não sente nenhuma emoção ou tem desprezo pelas relações humanas.

Com o decorrer da série mergulhamos em seu passado e no dos demais personagens e começamos a entender os motivos que a fazem tão fria. E o passado agrega ainda mais a série junto com novas tramas.

Mas Brennan não é a minha personagem favorita, apesar de tudo sempre fico em dúvida entre Ângela e Camille (Tamara Taylor). A personalidade das duas é incrível assim como a participação na trama.

Bones é uma daquelas séries que exigem grande dedicação em razão da conexão entre temporadas e da vasta quantidade de episódios. Mas, acho que já falei o suficiente da série para quem não a conhece, agora pretendo explicar a razão desse artigo.

Estreou nesse mês a Décima Segunda temporada da série e nós fãs vamos assistir sabendo ser a última, ouvimos diversas coisas a respeito, inclusive sobre mortes, retorno de velhos personagens e numa tentativa de nos consolar foi dito “teremos mortes, mas não somos Game of Thrones”, talvez para passar uma sensação de segurança.

Conforme dito anteriormente, a série estreou em 2005, mas só comecei a vê-la em 2010 e já se foram seis anos devotados a ela. Não será a primeira vez que ficarei órfã de uma série, na verdade esse ano teremos muitos finais, de séries que eu via, que vejo ou que um dia pretendo ver, muitos ficarão órfãos esse ano. É que Bones é especial.

Comecei ela junto com outra série, depois falo a respeito, série essa que fiquei órfã pouco tempo depois, e encontrei algum tipo de identificação nela (Bones) . E quando a outra série acabou ela ainda estava aqui, muita coisa ruim e boa aconteceu nesses seis anos e Bones estava aqui. Quando eu estava triste tinha um episódio para assistir e tentar me divertir, quando ficava frustrada com outra série tinha episódios de Bones para ver e sentir que ia ficar tudo bem.

Mais além, depois de um tempo louco de estudos e ficar sem dormir para passar no vestibular, eu tinha Bones para comemorar a aprovação. E quando eu não tinha dinheiro, eu tinha em Bones uma diversão que não custava nenhum centavo.

Para mim a qualidade ainda é a mesma, ou um pouco mais, do que da primeira temporada e o amor hoje é ainda maior. Foi uma das poucas séries que podemos dizer que a qualidade continuou a mesma com o decorrer dos anos. Essa série nunca me desapontou, mesmo que tenha sido a causa de algumas lágrimas e muitas risadas, Bones sempre valeu a pena. E ainda vale.

Quando todas as outras séries que eu assistia estavam no máximo toleráveis, Bones estava lá, como um lugar a salvo onde eu podia depositar as esperanças sem medo de desilusões.

E por isso não estou preparada para dizer adeus, por isso ainda não vi nenhum episódio da última temporada, por melhor que seja ela ainda vai deixar o gosto amargo de ser a última, de ser a despedida.

Algumas séries de TV tomam um pedaço importante da nossa vida, elas deixam uma marca, ajudam a moldar a nossa personalidade de um jeito único e Bones foi uma dessas, por isso é tão difícil dizer adeus.

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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