Resenha | O Senhor dos Anéis: As Duas Torres – J. R. R. Tolkien

Resenha | O Senhor dos Anéis: As Duas Torres - J. R. R. Tolkien

“Não sou Gandalf, o cinzento, que você traiu. Sou Gandalf, o branco, que retornou da morte.”

Dando continuidade à leitura da trilogia O Senhor dos Anéis do mais cultuado escritor da cultura geek mundial, temos As Duas Torres, aquele que é sem dúvida meu livro favorito e que mostra a que veio a trilogia sobre a Terra-Média, um livro mais denso e complexo que o primeiro onde somos apresentados ao reino de Rohan e dos senhores dos cavalos.

Leia a resenha do primeiro volume da trilogia aqui.

Título: O Senhor dos Anéis: As Duas Torres
Autor: J. R. R. Tolkien
Tradução: Almiro Pisetta e Lenita Maria Rimoli Esteves
Editora: Martins Fontes
552 páginas
Sinopse: As Duas Torres é a segunda parte da grande obra de ficção fantástica de J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis. É impossível transmitir ao novo leitor todas as qualidades e o alcance do livro. Alternadamente cômica, singela, épica, monstruosa, diabólica, a narrativa desenvolve-se em meio a inúmeras mudanças de cenários e de personagens, num mundo imaginário absolutamente convincente em seus detalhes.
A Comitiva do Anel se divide. Frodo e Sam continuam a viagem, descendo sozinhos o Grande Rio Anduin – mas não tão sozinhos assim, pois uma figura misteriosa segue todos os seus passos… O restante da comitiva parte em busca de Merry e Pippin, capturados pelo inimigo.

 

Vamos ter paz (…). Sim, vamos ter paz (…) teremos paz quando você e seus feitos tiverem perecido- e os feitos de seu senhor escuro, a quem você nos entregaria.(…).Quando você pender de uma forca em sua própria janela para a diversão de seus próprios corvos, eu ficarei em paz com você e Orthanc.

O livro tem início com a partida de Boromir, algo que não foi de todo proposital, já que O Senhor dos Anéis fora concebido como um único livro e por economia na produção foi decidido que ele seria dividido em uma trilogia, mas para quem leu os livros aos poucos e separadamente, já neste começo percebemos que este, na medida do possível será um livro mais maduro.

Após a passagem por Lothlórien, Frodo começa a entender que sua jornada em busca da destruição do anel não pode ser levada a cabo por uma equipe, ele finalmente entende que está sozinho nesta jornada e as margens do rio Anduin decide abandonar os demais membros da sociedade do anel. Porém não antes que seja traído por Boromir e que este tente tomar-lhe o anel.

Deste modo, o segundo volume tem início com Aragorn que procura desesperadamente os hobbits e ao ouvir a trombeta de Gondor que Boromir carregava consigo, sai desesperadamente em busca do companheiro, porém ao chegar já é muito tarde este está morrendo e revela que tentou tomar o anel de Frodo e que ele fugiu em razão disso.

A sociedade se desfaz e Aragorn, Legolas e Gimli partem em busca de Merry e Pippin que foram levados pelos orcs. Frodo segue seu caminho para Mordor em companhia de Sam Wise. A perseguição aos orcs que levaram seus amigos acabam por levar nosso trio para Rohan, o lar dos cavaleiros, lá Aragorn encontrará um desafio ainda maior ao perceber a o quanto o poder do inimigo cresceu com o apoio de Saruman, por outro lado somos apresentados a situação de Merry e Pippin que estão sendo levados pelos uruk hai e acabam indo parar na velha e medonha floresta de Fangorn.

Nem tudo está perdido, Gandalf retorna dos mortos para terminar sua missão na Terra-Média e guiar seus povos na grande batalha desta Era. Somos apresentados a Théoden rei de Rohan que consegue uma importante vitória contra Sauron no Abismo de Helm. Em contrapartida, Frodo segue seu caminho para Mordor com a ajuda de Sam e tendo como guia a criatura Gollum.

Este livro apresenta uma evolução em relação ao primeiro, pois nele temos grandes batalhas e perdas, onde a violência do inimigo Sauron é demonstrada, além é claro de suas intenções, como a de escravizar todos os povos livres da Terra-Média e mergulha-la no escuro.

Também encontramos aqui conflitos psicológicos como as escolhas que Sam deve fazer e Aragorn que é obrigado a considerar seu retorno a Gondor e a exigência do trono. Neste ponto da trilogia somos tomados de um certo pessimismo, se não fosse conhecermos a história pela adaptação cinematográfica, nem mesmo a vitória sobre os exércitos de Saruman seriam suficientes para nos convencer de que teremos um final feliz para nossos protagonistas.

Os hobbits Frodo e Sam passam a ser o centro da história eles acabam sendo capturados por Faramir, que por acaso é irmão de Boromir e se mostra alguém muito mais honrado e nobre que o irmão e apesar da tentação permite que os dois sigam seu caminho.

A expulsão de Saruman da ordem e a destruição de seu cajado também são pontos marcantes e que nos permitem reflexões, porém todo este livro irá se dedicar a discussão de: quantos sacrifícios são necessários na luta pela liberdade?

Neste livro, diante da presença mais forte de Gollum, das dúvidas de Aragorn e do novo simbolismo de Gandalf fica difícil não estabelecer comparativos e alegorias como Tolkien tanto resistiu em reconhecer. Talvez se analisarmos tudo sob o prisma da luta entre o bem e mal poderemos entender tais conflitos sem as alegorias e alusões.

Só posso concluir que Tolkien continua sua obra com o mesmo ou talvez até um brilhantismo maior do que o do primeiro volume. Sua genialidade mais uma vez se demonstra através da construção dos novos personagens e dos diálogos, além das reflexões filosóficas por trás das lições de Gandalf e da sabedoria de Théoden.

Vocês precisam ler esse livro!

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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