Resenha | Eldest – Christopher Paolini

Resenha | Eldest - Christopher Paolini

“É bem melhor ser ensinado a pensar de forma crítica e poder tomar suas próprias decisões, do que ter as noções de um outro alguém jogadas nas suas costas.”

 

Neste segundo volume do Ciclo da Herança, conheceremos mais sobre Alagaësia e seus povos, porém criamos certa expectativa acerca da evolução da história, acreditamos que a imaturidade do autor, que na época da escrita do primeiro livro tinha 14 anos, porém essa evolução não ocorre no nível esperado e irei explicar o motivo disso.

 

Título: Eldest – A Herança
Autor: Christopher Paolini
Tradução: Heitor Pitombo e Laura van Boekel Cheola
Editora: Rocco – Jovens Leitores
656 páginas.
Sinopse: A narrativa de Eldest começa três dias após a cruel batalha travada por Eragon para libertar o Império das forças do mal. Agora, o Cavaleiro de Dragões se vê envolvido em novas e emocionantes aventuras. Em busca de um tal Togira Ikonoka  “O Imperfeito que é Perfeito”, que supostamente possui as respostas para todas as suas perguntas, Eragon parte, junto com Saphira, o dragão azul que o acompanha desde o início da aventura, para Ellesméra, a terra onde vivem os elfos. Lá, eles pretendem aprender os segredos da magia, da esgrima e aperfeiçoar o seu domínio da língua antiga.

 

Dando continuidade à luta dos povos de Alagaësia por liberdade, este segundo livro nos mostra o caminho do cavaleiro de dragão Eragon e sua companheira Saphira em busca de conhecimento e treinamento para amadurecer e futuramente guiar os Varden na sua luta contra o tirano Galbatorix. Aos elfos de Ellesméra, na floresta de Du Weldenvarden, é dada a função de treinar e educar Eragon e Saphira. Com o decorrer da obra descobrimos mais sobre a história da terra mística criada por Paolini, além é claro de personagens que ganham mais importância. Temos também o interesse amoroso que Eragon demonstra por Arya, porém esta tem certa resistência a um possível relacionamento.

Com o mergulho na história dos povos e dos cavaleiros, além da luta pela liberdade, temos certa expectativa quanto a evolução do enredo, mas a sensação que temos é que esta evolução irá se desenvolver a qualquer momento e acabamos por espera-la até o final, onde o autor nos deixa um acontecimento marcante e que ficaremos ansiosos pelo próximo volume, porém não é a tão aguardada evolução da obra.

Mais uma vez, ficará para outro livro o amadurecimento que esperamos como também um desenvolvimento mais marcante. Não é que a obra seja estagnada nos mesmos aspectos do primeiro, pelo contrário, esta obra mergulha em outros personagens, nos apresenta novos conceitos e lições, como Roran que agora se torna um personagem de muita importância e a história, versão de Paolini, para os elfos. Mas isso não ocorre com o brilhantismo que esperamos, no primeiro volume o autor era só um garoto com paixão por contos de fadas e reinos fictícios que resolveu criar o seu próprio mundo, porém agora, após nos apresentar uma história convincente para um começo de saga, ele não evolui como o esperado.

Talvez tenha faltado paixão, ou até mesmo esforço, Paolini não mostrou tudo que podia e o que mostrou não abordou apropriadamente, Eldest acaba por ser um livro de 656 páginas e que não se desenvolve de verdade. Talvez até por isso, ao terminar o que seria a Trilogia da Herança com Brisingr, ele percebe que não contou nem mostrou tudo que deveria mostrar e por isso resolve transformar a trilogia em um Ciclo.

Verdade seja dita, a Alagaësia é apaixonante, nos apresenta um universo com seres tão mágicos e interessantes, algo que não víamos desde a Terra-Média ou Nárnia, talvez por isso o livro seja tão frustrante, porque o autor se impôs uma grande responsabilidade a qual, mesmo com grandes esforços, não pode cumprir. Apesar de essa ser uma crítica dura, não significa que não recomendo, pelo contrário, acho que este, assim como Eragon deve ser lido e relido, afinal a obra tem alguns elementos interessantes.

Para além da superficialidade do enredo: um romance óbvio, criaturas mitológicas conhecidas, luta contra um poder tirânico. Eldest, assim como Eragon, demonstra que Paolini é um grande autor, os povos de seu livro tem idioma próprio, a qual o autor se preocupou a criar (tal como Tolkien), talvez faltasse experiência e maturidade, as histórias dos cavaleiros de dragão são muito boas, sua versão dos elfos bastante explicativa e apesar de ter como vilão a clássica figura do ditador que quer subjugar os povos de sua terra, a luta contra Galbatorix se desenvolve de maneira única.

Se você sente falta de uma terra original e fantasiosa, a moda medieval, está órfão, em razão do término da leitura, de obras como: O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter, esta pode ser uma boa oportunidade para, sem precisar reler nada, se lembrar o porque de apreciar uma literatura fantástica.

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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