Resenha | As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Resenha | As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Querida Lucia,

Comecei a escrever está historia para você, sem lembrar-me de que a meninas crescem mais depressa do que os livros. Resultado: agora você está muito grande para ler contos de fadas; quando o livro estiver impresso e encadernado, mais crescida estará. Mas um dia virá em que, muito mais velha, você voltará a ler histórias de fadas. Irá buscar este livro em alguma prateleira distante e sacudir-lhe o pó. Ai me dará sua opinião. É provável que, a essa altura, eu já esteja surdo demais para poder ouvi-la, ou velho demais para compreender o que você disser. Mas ainda serei o seu padrinho, muito amigo.

 C.S.Lewis

Minha história com As Crônicas de Nárnia é igual a de muitos, conheci primeiro a adaptação cinematográfica estrelada por Georgie Henley e Skandar Keynes e depois de um tempo descobri na biblioteca da minha escola o Volume Único com as sete Crônicas de Nárnia, li em dois dias e me apaixonei, mas dos sete, alguns livros me chamaram mais a atenção e O leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é um desses e nessa resenha vocês vão saber a razão disso.

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA
AUTOR: C. S. Lewis
TRADUÇÃO: Paulo Mendes Campos
184 Páginas
ILUSTRAÇÕES: Pauline Baynes
Sinopse: Edmundo experimentou uma misteriosa sensação de horror. Pedro sentiu-se valente e vigoroso. Para Susana, foi como se uma música deliciosa tivesse enchido o ar. E Lúcia teve aquele mesmo sentimento que nos desperta a chegada do verão. Assim, no coração da terra encantada de Nárnia, as crianças lançaram-se numa mágica aventura.

 

 

A primeira obra de Lewis a ser escrita sobre o fictício mundo de Nárnia é sem dúvida uma das mais tocantes, o cenário inicial é o desespero da Inglaterra por causa dos bombardeios alemães durante a Segunda Guerra Mundial e as tentativas de proteção de suas crianças, em especial o envio destas a  zona rural para ficarem a salvo.

Também somos apresentados a quatro irmãos: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia. Esses acabam sendo enviados para a casa de campo do professor Digory Kirke. Nesta casa caçula Lúcia descobre um guarda-roupa mágico que a leva para Nárnia, uma terra misteriosa onde todos os animais são falantes. Lá ela conhece um gentil fauno chamado Tumnus, que a leva para tomar chá e conta que Nárnia está sob o domínio de uma feiticeira e presa em um inverno sem fim, sendo que o Natal nunca chega.

Quando Lúcia conta sua história para os irmãos eles duvidam, mas procuram o guarda-roupa que para eles nada mais é do que um guarda-roupa comum e que não leva a lugar nenhum. Um dia enquanto brincam de esconde-esconde Lúcia e Edmundo entram no guarda-roupa, o último acaba conhecendo a Feiticeira Branca, Jadis, que oferece a ele um manjar turco em troca de informações.

Ao retornar para a casa Edmundo mente aos irmãos e diz que a história de Lúcia sobre a terra de Nárnia é mentira, o que posteriormente traz grandes consequências, mas por força do destino todos os irmãos acabam indo parar dentro do guarda-roupa e consequentemente em Nárnia.

Chegando lá eles procuram a casa do senhor Tumnus, o fauno amigo de Lúcia. Mas descobrem que ele foi preso por traição ao confraternizar com humanos e acabam conhecendo um casal de castores falantes e através deles, descobrem que existe uma profecia sobre quatro crianças que colocariam fim ao reinado da feiticeira devolvendo a Nárnia os dias de glória do passado.

Agora todos acreditam que eles são os filhos de Adão e as filhas de Eva que devem guiar o povo de Nárnia em uma batalha contra a temida Feiticeira Branca que transforma pessoas em pedra, devendo ser levados pelos castores até a Mesa de Pedra onde ocorrerá uma grande reunião para decidir o futuro do país.

Neste meio tempo, Edmundo foge e procura a Jadis, a feiticeira branca, mas ela fica furiosa por ele ir sozinho até o seu castelo, pois queria prender os quatro irmãos e ele acaba se tornando um traidor. Somos apresentados à figura de Aslam, um imponente leão que é o verdadeiro imperador de Nárnia, vindo do além-mar, aquele que guiará a batalha contra a Feiticeira Branca.

Não farei ainda mais revelações sobre a história, pois acredito as demais informações precisam ser descobertas na leitura do livro, como eu descobri e também para entender a relação de Aslam e Jadis. Caso já tenham lido a obra O Sobrinho do Mago será um diferencial neste entendimento, mas ainda assim recomendaria fazer algo como Star Wars, ler as obras na ordem em que foram escritas, não na cronologia dos fatos, pois se a leitura for posterior todos ficaram surpresos.

Tinha tudo para ser mais um livro sobre a luta do bem contra o mal, porém alguns pontos fazem desse livro um livro inteiramente único ao seu modo. A escrita do autor é um dos pontos altos do livro, pois apesar de ser pequeno em páginas é bem detalhista e cuidadoso. Sem duvida é um dos melhores livros que já li. Somos levados a reflexões sobre a moral e fazer o que é certo, por mais difícil que seja. E com a traição de Edmundo aprendemos uma valorosa lição sobre perdão e sacrifício, aos mais fracos lágrimas rolarão quando Aslam cumprir sua palavra junto à Mesa de Pedra.

No universo de Nárnia todos os animais são falantes, seres racionais, temos anões, faunos, dríades e outras ninfas, centauros, minotauros e diversos outros seres mitológicos, que são apresentados para reforçar ainda mais a ideia de um país diferente, porém harmonioso. Outro fato que se percebe desde este livro é que Nárnia só viveu momentos de paz quando foi governada por filhos de Adão e filhas de Eva escolhidos por Aslam.

Há ainda a valorização das crianças, o que reforça a faixa etária para qual a obra foi escrita, por outro lado, inevitavelmente as situações em que tais crianças foram colocadas fizeram da obra um sucesso também para o público juvenil e adulto que buscam uma boa literatura fantástica.

Este foi para mim um daqueles livros em que só conseguimos parar quando estamos no fim, aí já por medo de acabar e ser lançado de novo no mundo real adiamos a conclusão. De tal modo que ao final sentiremos um aperto no peito quando chegar a hora de retornar ao Ermo do Lampião, não estaremos preparados para dizer adeus, ouso ainda afirmar que C. S. Lewis sabia disso e então fez desta despedida apenas um até breve.

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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