Os 60 anos de Frank Miller e sua importância para os quadrinhos

Os 60 anos de Frank Miller e sua importância para os quadrinhos

Frank Miller nasceu no dia 27 de janeiro de 1957, em Olney, Maryland. Quando jovem era viciado em filmes “noir”, lia as HQs do italiano Guido Crepax, Will Eisner e era admirador da linguagem cinematográfica dos mangás (os gibis japoneses). Essas experiências acabaram influenciando-o artisticamente. Miller mudou-se para o Soho em 1977. Era um garoto vindo do campo, bastante alto e encantado com Nova York. Quando não estava juntando trocados para pagar o aluguel, fazendo serviços de publicidade e carpintaria, ele passeava pelos saguões da DC e da Marvel, importunando editores ou pedindo conselhos de artistas como Neal Adams, no estúdio Continuity. Seu primeiro trabalho profissional foi pela editora Gold Key, nas páginas da revista de terror e mistério “The Twilight Zone” (“Além da imaginação”) nº 84, de junho de 1978.

Logo depois, ainda em 1978, foi trabalhar na Marvel. Sua primeira HQ publicada na nova editora foi no n° 18 de “John Carter: Warlord of Mars”, naquele mesmo ano. Depois desenhou, ainda na Marvel, histórias de “Homem-Aranha” e uma capa de “Star Trek” (Jornada nas estrelas). Em 1979, com o apoio da editora-assistente Jo Duffy, estreiou no “Demolidor” de Roger Mckenzie. Com a saída de Mckenzie ele pode roteirizar e desenhar o título imprimindo seu estilo cinematográfico. O título bimestral do Demolidor, prestes a ser cancelado, se transformou num dos mais importantes do mercado. A versão de Miller introduziu Elektra na vida do herói cego (realçando a influência oriental nos trabalhos de Miller). E todo enredo bem amarrado do escritor-desenhista prodígio culminou com a morte da ninja. Miller se tornou então um artista proeminente.

CONFIRA ALGUNS DE SEUS TRABALHOS DE DESTAQUE

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Originalmente uma minissérie em 4 edições lançada no início de 1986, Batman, O Cavaleiro das Trevas levou muito pouco tempo para ser considerada uma das duas pedras angulares dos quadrinhos modernos, ao lado de Watchmen, de Alan Moore. Escrita e desenhada por Frank Miller, a história, mostrando um Cavaleiro das Trevas envelhecido e amargurado voltando à ativa após anos de aposentadoria, ultrapassou as fronteiras do que se convencionava considerar “histórias em quadrinhos”, estabelecendo novos parâmetros, tanto em narrativa como em temática, e influenciando tudo o que veio depois. Em 2001, Miller voltou a o distópico mundo criado por ele há quinze anos e deu continuidade ao clássico em uma nova minissérie, O Cavaleiro das Trevas 2. O material, como não poderia deixar de ser, foi um sólido sucesso de vendas.

A Queda de Murdock

Wilson Fisk, o Rei do Crime. Um homem diabólico, cujo império criminoso se tornaria impossível de ser contido não fosse a interferência contínua do advogado Matt Murdock, mais conhecido como Demolidor. Certo dia, Fisk recebe uma informação revelando a identidade secreta do herói… e dá início a uma devastadora campanha de vingança, cujo objetivo é não apenas destruir o Homem sem Medo, mas todo o mundo ao seu redor. Não há um painel ou sequência narrativa sem fundamento aqui. Miller e Mazzucchelli reconstruíram totalmente Matt Murdock, fazendo com que o leitor tivesse uma conexão instantânea com o protagonista. A história traz um prazer que é até difícil de explicar. Este título foi um dos grandes acertos de Miller e merece ser lembrado por mais 50 anos.

 

Sin City: A cidade do Pecado

Enquanto alguns acham que “O Assassino Amarelo” foi a melhor história de Sin City,A Cidade do Pecado” garante seu lugar por ser a pioneira. Ela introduz o universo criado por Miller com foco em um indivíduo que está apenas tentando limpar seu nome depois de ser acusado de assassinar uma bela prostituta chamada Goldie. Miller já é conhecido por gostar de enredos obscuros,  mas Sin City chega a um outro nível. O conto é repleto de corrupção política, além de um desfile interminável de vândalos, fraudadores, bêbados, prostitutas e sociopatas. Mas o que é mais impressionante é o estilo visual noir que Miller adotou. As cores preto e branco e o uso pesado de sombras e silhuetas dá a Sin City aquela vibe de 1930, o que funcionou perfeitamente para adaptação para o cinema em 2005.

Eu, Wolverine

A popularidade de Wolverine como um personagem tem muito a ver com seu jeito durão e solitário. E foi nesta parceria entre Miller e Claremont que Wolverine se tornou o herói trágico e complexo que conhecemos hoje. O primeiro livro solo de Wolverine o levou para o Japão, onde ele encontrou Mariko e seu pai dominador. A arte de Miller foi essencial para este trabalho, dando um tom dinâmico e ousado. Esta é uma história que pode ser verdadeiramente apreciada em páginas grandes, pois cada painel é um trabalho de arte. Alguns aspectos desta mini-série podem parecer muito familiares aos leitores acostumados com os X-men contemporâneos. Mas isso é só porque esta história teve e continua a ter uma profunda influência sobre as aventuras que Wolverine teve em seguida. Sem ela, Wolverine não seria o melhor no que faz.
Miller faz seus 60 anos e em 2017 acompanhamos o lançamento nas bancas de Cavaleiro das Trevas III, a história vem com a grande promessa de redenção após o fiasco de Cavaleiro das Trevas II, contudo, Miller não se resume a Marvel e a DC ele é um dos grandes mestres dos quadrinhos no mundo, foi e ainda é a fonte de inspiração de muitos jovens.
Torcemos para que venham mais anos dedicados a esse universo para a alegria dos fãs!

Lady Abi

Educadora de Cultura e Cidadania no CPDCE/UFV e Militante no Levante Popular da Juventude, nerd nas horas vagas e as utilizo para fazer maratonas, principalmente de One Piece e O Hobbit/Senhor dos Anéis, amo.

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