O peso e a responsabilidade de Mulher-Maravilha: O filme

O peso e a responsabilidade de Mulher-Maravilha: O filme

Nessa nova Era dos Heróis no cinema, podemos afirmar que tudo começou com X-Men, um filme altamente corajoso e um trabalho brilhante de Bryan Singer junto com a Fox, depois tivemos Homem-Aranha de Sam Raimi e o começo do universo compartilhado da Marvel Studios com Hulk e Iron Man, cada um demonstrou sua coragem ao seu estilo. Mas podemos considerar que o último, foi o mais ambicioso, aos moldes do que a Fox vinha fazendo com os X-Men, porém com muito mais títulos, criar um universo compartilhado com diversos heróis e contar as suas histórias de maneira interligada.

Nem tudo foram flores, hoje com esse universo consolidado e em sua fase 3 ninguém ousa questionar o sucesso, mas quando as coisas começaram a situação foi bem diferente. Mas o que isso tem a ver com o filme da Mulher-Maravilha? Já já vamos chegar lá.

Daqui a pouco menos de um mês, no dia 01/06 entrará em cartaz Mulher-Maravilha: O Filme. Teremos, finalmente, a Mulher-Maravilha com o tempo em tela que ela merece. Contudo, há alguns aspectos sobre os filmes de super-heróis que precisam ser debatidos, em especial sobre a produção do filme e o papel dado as heroínas no cinema até então.

Desde que a Marvel, em especial com os filmes produzidos pela Fox e Sony, se uniu a DC Comics na corrida pelo público amante de cinema, a primeira conseguiu levar o sucesso mais a fundo e estabelecer o que antes poderia ser considerado impossível: um universo estendido de super-heróis com planejamento e sucesso invejável.

Sejamos honestos, a DC Comics já estava no mundo dos cinemas a muito tempo, mas até a Fox lançar seus filmes dos X-Men e Sony nos brindar com o maravilhoso Homem-Aranha do Sam Raimi, ninguém havia levado a sério a ideia de um universo rico em personagens no cinema.

Foi nesse ponto que entrou em cena a Marvel Studios e a Disney oferecendo o que seria um universo compartilhado altamente complexo, mas que soou loucura por diversos motivos que serão abordados aos poucos nesse texto. Hoje podemos afirmar que a parceria com a Disney fez nascer um novo conceito em filmes de heróis, conceito que os demais por vezes se negam a seguir, mas não é esta a discussão.

Ainda assim, a DC e a Warner se arriscaram, mesmo depois da aclamada trilogia Batman do Nolan, a recomeçar e dessa vez com o pé direito, um universo compartilhado que tinha sua origem no filme Homem de Aço (2013), pé direito, pois começava com o primeiro super-herói da história, seu carro chefe. O começo desse universo foi entregue nas mãos do polêmico diretor Zack Snyder.

Seguindo uma sequência bem lógica, nada mais justo que os pilares da editora fossem os primeiros a terem seus filmes, tivemos Batman vs Superman e depois Esquadrão Suicida (uma maneira de apresentar os principais vilões do universo DC). Agora chega a vez da Mulher-Maravilha.

Nessa corrida pelo sucesso, a DC será a primeira a dar um filme solo a uma heroína, pois se tem uma coisa que sabemos é que nas concorrentes as coisas não vão nada bem para as heroínas. Tanto que, foi preciso a notícia do solo de Mulher-Maravilha repercutir para que a Marvel Studios anunciasse o filme solo da Capitã Marvel, o que foi frustrante para muitos, e mais, esse filme só chega em 2019.

Mas não podemos culpar a Marvel Studios e a Disney por toda essa demora e falta de vontade em dar protagonismo a suas heroínas, primeiro porque as duas empresas não possuem os direitos de todos os seus personagens, ficando atadas as mãos da FOX suas maiores e melhores heroínas. Segundo porque a história das adaptações de quadrinhos com protagonistas mulheres não tem sido tão gloriosa.

Mas façamos a análise de um motivo de cada vez. A trindade da DC Comics (Superman, Batman e Wonder Woman), são os pilares da editora a décadas e como já mencionado, nada mais justo que esses fossem os primeiros a ter destaque em seu universo compartilhado.

No entanto, a Marvel Studios não possui o direito de suas melhores equipes (X-Men e Quarteto Fantástico), como também não tem o de suas heroínas e vilãs mais famosas: Mística, Jean Grey, Tempestade, Vampira e Emma Frost. Não restou a Marvel outra escolha a não ser ir adiando ad infinitum produções com heroínas em destaque.

Com o anúncio do filme da solo da heroína da DC, o estúdio acabou sendo obrigada a desenvolver o projeto do filme solo da Capitã Marvel, heroína que só ganhou grande destaque de 2012 pra cá nos quadrinhos, sendo pouco conhecida para o público comum.

Podemos afirmar que ambos não tiveram escolha: era impossível para a DC Comics/Warner conciliar um universo expandido de super-heróis sem um filme solo de um dos seus pilares (Mulher-Maravilha) e a Marvel Studios/Disney apesar de não ter grandes heroínas para lançar um filme solo, não podia deixar a oportunidade passar.

A DC inova, mas não por querer ou ter escolha e a Marvel se vê forçada a segui-la. Mas não tiremos o mérito da DC/Warner, o que ela faz com a produção de Mulher-Maravilha precisa ser melhor abordado e o faremos em breve.

No nosso segundo ponto vamos abordar melhor as polêmicas adaptações de quadrinhos que tiveram mulheres como protagonistas começando de Supergirl (1984). O filme pretendia pegar carona nos aclamados filmes do homem de aço de Reeve, com algumas estrelas no elenco acabou sendo um fracasso de público e crítica, muito se deve a má vontade do estúdio em dar real protagonismo a personagem e apresenta-la da maneira correta. Não foi o primeiro filme baseado em quadrinhos a ter uma mulher como protagonista, tivemos o fracassado telefilme da Mulher-Maravilha (1974) com a Cathy Lee Crosby no papel principal, o filme foi tão sem importância que nem merece ser tratado aqui, voltemos ao da Supergirl.

O fracasso do filme acabou por enterrar por duas décadas os solos de heroínas nos cinemas, o grande retorno deveria ser em 2004, com Mulher-Gato, filme com orçamento grandioso e que tinha Halle Berry no papel principal. Mais uma vez tivemos um fracasso, o trabalho se baseou de maneira muito leve nos quadrinhos e apresentou uma premissa fraca e uma protagonista  apática, a crítica e a bilheteria foram um massacre, o filme não conseguiu nem mesmo se pagar.

No ano seguinte, após Demolidor, que apesar de não ser das melhores adaptações fez sucesso, era a vez da FOX lançar o solo da heroína Elektra com Jennifer Garner no papel. Contudo, após o fracasso de Mulher-Gato, podemos dizer que o filme não recebeu todo o suporte necessário e o roteiro bagunçado acabou por impedir que o filme da personagem alcançasse o sucesso. O filme mal se pagou e tivemos que ver por mais de dez anos nossas heroínas serem reduzidas a meros alívios cômicos, interesses amorosos ou simples coadjuvantes.

Com orçamento semelhante ao de Mulher-Gato (2004), Mulher-Maravilha parece trilhar o caminho certo para deixar para trás a má fama desses filmes, bem verdade, o filme antes mesmo da estreia já mostrou que é bem diferente do que estamos acostumados. Patty Jenkins será a primeira mulher a dirigir um filme com orçamento de 100 milhões e visualmente o filme está muito próximo dos quadrinhos.

As informações reveladas nos deixam esperançosos para uma adaptação do melhor do mundo da heroína nos quadrinhos aliados a um elenco e produção dedicada. Além do figurino e das locações, sentimos que tem um trabalho sério sendo realizado.

Nos resta ressaltar que este, bom ou ruim, não será um filme qualquer.

Os fatos apresentados demonstram e muito o peso e a responsabilidade que a Mulher-Maravilha carrega esse ano, se tivermos mais um fracasso, podemos considerar enterrados por mais alguns anos as adaptações de heroínas. E mostra também a posição confortável da Marvel Studios com tudo isso, Capitã Marvel só sai em 2019, a receptividade do filme da DC vai ajudar a Marvel a moldar o seu próprio e conseguir um filme que seja aceito pelo público e pela crítica.

Com mais de 75 anos de história acho que a nossa heroína dá conta do seu papel e que todo esse peso será apenas mais um descarregado dentre tantos outros.

 

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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