Novos 52 | Batgirl e Batwoman a voz dos excluídos

Novos 52 | Batgirl e Batwoman a voz dos excluídos

A fase dos novos 52 ficou pra trás e como tudo que a DC Comics produz hoje em dia foi recheada de controvérsias, dúvidas, críticas e questionamentos. A maior parte deles voltado ao desrespeito a mitologia da editora e aos fãs de quadrinhos, ainda assim há aqueles que defendem a fase com unhas e dentes, não sou uma delas, sou apenas uma ávida leitora de quadrinhos que tenta aproveitar ao máximo o material oferecido nos dias atuais.

Como tal, creio que tenho capacidade para fazer uma análise dos títulos mais importantes da editora e apresentar pra vocês as conclusões que podemos tirar de tais títulos. Antes, é claro de começar tais posts, resolvi defender dois títulos que tem sofrido imensamente com as críticas. E que ao meu ver, estão entre os melhores, dentre muitos motivos, resolvi explanar aqui aqueles que são os de maior relevância em minha busca por entretenimento.

Nas talentosas mãos de Gail Simone foi entregue a difícil missão de trazer de volta a melhor e mais aclamada Batgirl dos quadrinhos, isso mesmo caro leitor, Bárbara Gordon tomou de volta para si aquele manto que nunca deveria ter deixado. Os motivos pelos quais a nossa ruiva (favorita?) está de volta as noites de Gotham City são esclarecidos em Batgirl: novos 52. Não só os motivos, mas também a nova realidade da heroína, seus traumas, problemas familiares e os vilões que enfrenta.

Em contrapartida, Gotham ganhou mais uma guardiã, a Batwoman (Kathy Kane), o título foi entregue aos cuidados de J. H. Willians III, W. Haden Blackman e Amy Reeder. Com uma história igualmente interessante só que desconhecida pelo grande público, em um tom quase que experimental, temos agora mais alguém que luta por justiça e pelos oprimidos. Katy era uma militar americana que sofreu com o duro regime anterior a era Obama, de tal modo que teve que abandonar as Forças Armadas por se recusar a esconder sua homossexualidade.

Em uma fase que a bat-família não ia assim tão bem, as duas personagens trazem novo fôlego para Gotham, isto porque os cenários são conceitualmente diversos da Gotham que estávamos familiarizados nas revistas do Batman. O retorno de Bárbara Gordon se dá enquanto uma organização secreta está reunindo meta-humanos para caçar e expulsar os criminosos da cidade, com métodos cruéis e violência máxima, a heroína se dá conta de que a cidade está muito mais selvagem do que antes. Kathy Kane por sua vez, se posiciona junto ao excluídos, mas em uma luta distinta: o desparecimento de crianças do bairro latino de Gotham, City

Em ambas as histórias temos elementos em comum, como as dificuldades nos relacionamentos pessoais, problemas com a família e a luta pelos mais desafortunados. Há anos que o Batman se volta a questões maiores e tramas mais relevantes, mesmo que os novos 52 sejam uma fase de renovação, esses elementos mantidos na história do morcego além da Corte das Corujas (que acaba por envolver em parte a Batgirl), impedem também o herói de voltar aos olhos as pequenas coisas de Gotham e que fazem as pessoas sofrerem ainda mais.

Ter Bárbara de volta ao manto e os indícios de algum relacionamento com Dick Grayson, faz com que os fãs fiquem maravilhados, mas o objetivo de Simone é outro, a renovação da personagem, assim enquanto Bárbara luta para entender o que acontece em Gotham, resolver os problemas de família e se safar da polícia, ela acaba conhecendo pessoas que são bem próximas da realidade. O realismo desse run é a beleza mais expressiva da história, o modo com a roteirista inclui questões como miséria e criminalidade, violência e gênero, tudo isso com inteligência trazem uma identificação muito grande. Simone chega a ser demitida ao final do primeiro ano, mas o clamor dos fãs faz com que ela retorne para concluir sua história com a mesma dedicação que começou.

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Diferentemente do que geralmente acontece no mundo dos quadrinhos, cada edição retrata um vilão diferente, em semelhança ao modelo das séries de TV, mas com elementos que conectam uma a outra, ao fim o leitor se surpreende ao descobrir junto com a heroína que no fundo ela estava lutando contra uma organização só. Aí está a diferença para os roteiros da TV, pois não um vilão maior do run, equivalente ao da temporada, o combate aqui é especialmente ideológico.

Retornamos ao que foi dito no início, os meta humanos trabalhavam para uma organização que pretendia limpar Gotham expulsando ou matando todos os delinquentes, ao perceber que as ações da vigilante se tornaram um obstáculo a esse plano começam as tentativas de eliminá-la. Em meio a esse roteiro, conhecemos pela primeira vez o outro lado da história: aqueles que roubam ou vendem drogas pra sobreviver, desde imigrantes ilegais a filhos de imigrantes que não tiveram oportunidade, Bárbara decide protegê-los, trabalhando em instituições de ressocialização e seu alter-ego Batgirl luta para mantê-los  a salvo dos caçadores e para convencê-los de que há outro caminho.

Como se não bastasse o Comissário Jim Gordon tem agora motivos para concentrar todas as forças policias numa busca constante para capturar a heroína e levá-la a justiça. Em um momento cheio de dúvidas e questionamentos quanto ao seu papel, ao bom estilo da DC Comics, Bárbara decide que não é mais digna de carregar o manto e abandona seu título de Batgirl, com uma reviravolta impressionante temos o desfecho do run de Simone. 

Batwoman por sua vez, tem bem menos ação do que o título da Batgirl, muito disso se deve ao fato da heroína ser desconhecida pelo grande pública, surgindo uma necessidade de apresentação. Em razão disso somos envoltos em seus dramas pessoais, a depressão após ser obrigada a abandonar o exército, os traumas da infância e os  problemas de aceitação da sua sexualidade. Em meio a tudo isso a heroína investiga o desaparecimento de crianças pobres em Gotham.

Em suas aventuras, ela pode não ter os melhores vilões ou melhores quadrinhos de ação, mas a personagem tem uma empatia avassaladora, é difícil não se identificar com suas causas e lutas. Muito disse se deve a arte do título que é impecável e ao caráter experimental do quadrinhos que o deixa mais livre e interessante, apesar de às vezes ser cansativo.

É mais um título para explorar o submundo de Gotham, miséria, violência, ódio e preconceito, nada escapa de ser abordado e debatido em Batwoman novos 52.

Sem dúvida, o mais relevante do título é a identificação que ocorre entre o leitor e a obra, os dramas de Kane e seu idealismo nos transmitem um misto de conforto, segurança e de algo único e inovador. É um título diferente do que estávamos acostumados a ver na bat-família do pré-crise, por isso ele conquista seu espaço sem precisar forçar a barra.

Poderíamos dizer que a arte dos títulos é um deleite a parte, as capas são cada uma melhor que a outra, em Batgirl temos altos e baixos no miolo, já Batwoman o nível permanece o mesmo. Mas no visual, assim como no roteiro, o saldo é positivo para esses títulos. Eles valem cada segundo perdido.

Batgirl passa por renovações após a saída definitiva de  Gail Simone do título, com o intuito de deixar mais leve e descontraído, mas esse é papo para outro artigo e um dia irei escrevê-lo, não hoje.

Espero que tenha gostado caro leitor e compreendido os objetivos do artigo.

Até Breve!

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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