Crítica | Desventuras em Série – 1° Temporada

Crítica | Desventuras em Série - 1° Temporada

Estreou esse ano no serviço de streaming da Netflix a série Desventuras em Série, baseada nos livros homônimos, ela conta a história dos órfãos Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) Baudelaire que tiveram sua vida mudada por completo no dia em que descobriram que seus pais haviam morrido em um incêndio que destruiu por completo a sua casa, os irmãos estavam passeando na praia quando tudo aconteceu.

Eles acabam sendo deixados sob os cuidados do sombrio conde Olaf (Neil Patrick Harris), um fracassado ator que mal pode esperar para ter acesso a fortuna dos órfãos. O tutor maltratas as crianças e ao ser desmascarado passa a perseguir os Baudelaire. É aí que as desventuras em série ganham força, já que os irmãos passam de casa em casa, sempre encontrando figuras excêntricas e com o vilão conde Olaf na cola deles.

Neil Patrick Harris se mostra um brilhante ator ao dar vida aos diversos personagens ridículos interpretados pelo conde, esses personagens sempre se mostram capazes de enganar a todos, exceto os irmãos.

Investindo em uma campanha em que os fãs não deveriam assistir a série por causa de todas as tragédias e eventos negativos vivenciados pelos  Baudelaire, a série adapta os quatro primeiros livros da serie: 2 por episódio e é bastante fiel, contudo é um pouco mais sombria já que pretende alcançar um público alvo maior que o dos livros.

Conde Olaf passa a perseguir os órfãos onde que quer eles vão, em semelhança ao que ocorre no livro, porém com muito mais detalhes, todos os seus planos acabam sendo mais aperfeiçoados e melhor apresentados. Isso faz parte da tentativa de adaptar a história para um público mais velho do que o do alvo dos livros.

Temos também o narrador, Lemony Snicket (Patrick Warburton), embora ele nos dê poucas respostas nessa primeira temporada a sua participação intensa acaba envolvendo o telespectador, pois opta ao modelo semelhante ao utilizado em algumas cenas de House of Cards. Ele conversa com o público em diversos momentos, permitindo maior interação.

A série tem ainda um tom claro de comédia, não que as desgraças que os protagonistas sofrem não nos passam um sentimento de tristeza, mas o apelo para a caricatura e o exagero acabam nos divertindo. Temos também Sunny, a bebê emite diversos sons no decorrer da temporada que acabam sendo traduzidos por legendas sofisticadas e cômicas para a situação apresentada.

Os produtores optaram por ambientar a série em um tom misto, algo que se passe muito com o nosso mundo, mas que possui algumas características de outra época ora temos carros e objetos atuais, ora temos antigos. Dessa forma é impossível definir em que época ou mundo estamos, mas o tom sombrio permeia toda a série e não só o maléfico conde Olaf.

O roteiro pode ser considerado impecável e apresenta flashbacks, intervenções do narrador e a trama principal intercalados no tom certo, permitindo o envolvimento do espectador e o desenvolvimento da história.  Apesar disso o ritmo não é constante, temos episódios menos intensos seguidos de episódios com grande tensão, o que pode dificultar para acompanhar em alguns momentos, mas nada que prejudique a experiência.

Visualmente a série também é ótima, uma escolha de cores que combina com o tom que se pretende dar ao roteiro e um ótimo figurino e que representa bem o tom que a série se propõe. Mesmo para aqueles não são fãs dos livros ou do filme de 2004, a primeira temporada de  Desventuras em Série é uma boa pedida e que nos deixa ansiosos por mais informações acerca dos infortúnios dos Baudelaire.

 

Lady Hortencia

20 e poucos anos, estudante de Direito, curte um bocado de cultura nerd e artes visuais, nas horas vagas cuida da sede desse Conselho e tenta manter tudo em ordem

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